sábado, 31 de maio de 2008

Apontamentos de Pré-História e Proto-História

O periodo do Paleolítico divide-se em:
- arcaico;
- médio;
- superior.
situado no Pleistoceno, decorrendo glaciações intercaladas com interglaciação.

PALEOLÍTICO arcaico
interglaciação Riss
5 milhões de anos
- industria Olduvaiense
- necrofagia (vegetação começa a rarear, quebra ossos, no sentido de obter o tutano)
  • Ardipithecus ramidus (4,5-4,4 milõs de anos)
  • Aust. afarensis (4 milhões de anos)
  • Aust. africanus (4-3 milhões de anos)
  • Aust. aethiopicus (2,5 milhões de anos)
  • Aust. boisei (2,3-1,4 milhões de anos)
  • Aust. robustus (2-1 milhões de anos)
- África Oriental:

  • Aust. afarensis - "Lucy" - descoberta por Johanson e Tom Gray a 1974 em Hadar na Etiópia, datada de 3,2 milhões de anos. Foi encontrado 40% do esqueleto (pélvis, fémur e tíbia que lhe conferia o bipedismo). eEra uma fêmea adulta com cerca de 25 anos, 1,07 m e 28 kg.
  • "A primeira família" - descoberta por Donald Johanson a 1975 , em Hadar na Etiópia, datada de 3,2 milhões de anos. Representa um rasto de 13 indivíduos, em que alguns cientistas consideram pertencentes a 2 ou 3 ou mais espécies diferentes, já Johanson defende o dimorfismo sexual.
  • "As pegadas de Laetoli" - descobertas por Mary Leaky a 1978, em Laetoli, na Tanzânia, a poucos km a sul de Olduvaie. Datada de 3,7 milhões de anos, é uma pista de 20 m com 3 indivíduos bípedes, pela profundidade das pegadas, consta-se que teriam por volta de 1,30 m, caminhavam lentamente sobre uma camada de cinzas vulcânicas e sobre algumas das pegadas sobrepõem-se outras mais pequenas.

  • Aust. africanus - "o menino de Taung" - descoberto por Raymond Dart a1924, em Taung na África do sul, datado de 2,3 milhões de anos. possuia a face completa, dentes e mandíbulas e restos do cérebro, a dentição constituinte de uma criança de 5-6 anos, com uma caixa crâniana de 410-440 cm3, transcrevendo o bipedismo.
1.400.000 anos

  • Homo habilis (2,2-1ilhões de anos)
  • Homo rudolfensis (1,5-1 milhões de anos)
  • Homo erectus (2 milhões de anos - 400 mil anos)
  • Homo ergaster (1,8-1,2 milhões de anos)
  • Homo antecessor (aproximadamente 500 mil anos)
  • Homo heidelbergensis (Europeu - 500 mil anos)
  • Homo sinanthropus (Pequim - 500 mil anos)
  • Homo pitecanthropus (Java - 500 mil anos)

- caçadores recolectores;
- bandos familiares;
- fogo;
- o Homo erectus é o primeiro hominídio a sair da África (dando origem ao H. heidelbergensis, H. sinanthropus e H. pitecanthropus)
- 1º a produzir artefactos
- industria lítica - olduvaiense, pelo H. habilis
- pelo H. werectus temos a achelense, abevilense e a pré-achelense - lascagem/ choppens
- pedra lascada - unilateral

1.000.000 anos

PALEOLÍTICO médio

- caçadores recolectores especializados (selecção do animal)

  • Homo sapiens arcaico (400-200 mil anos)
  • Homo antecessor (500 mil anos)
  • Homo sapiens Neandertalensis (150-34 mil anos)

- primeiros cultos e rituais
- pior glaciação - WURM (400-350 mil anos)
- H. s. Neandertalensis - industria lítica moustienense
- H. s. arcaicos - industria pré-aurinhacense
- adornos

35.000 anos

PALEOLÍTICO superior

- representação artística (arte rupestre)

  • Homo sapiens sapiens (28 mil anos)
  • Homem de Cro.Magnon (o mais antido dos Homo sapiens sapiens, que também chegou à América)
- industria lítica - aurinhacense, gravetense, solutrense e a magdalense

10.000 anos - entramos no Holocenico

MESOLÍTICO

- concheiros
- espinhas de peixe
- pescadores, recolectores especializados e armazenistas
- micrólitos - em formas geométricas, inseridos na madeira, osso...


5.000 anos

NEOLÍTICO

- pedra polida
- agricultura, domesticação
- sedentarização
- construção de monumentos megalíticos
- cerâmica
- micro-utensilares - pontas de seta, pequenas raspadeiras e lamelas associadas à lascagem. polimento: machados polidos, enchós, goivas...

3.000 ANOS

CALCOLÍTICO

- metalurgia do cobre
- início da hierequização social
- povoados fortificados

2.000 anos

IDADE DO BRONZE

- intensificação do neolítico e do calcolítico
- heroisização do chefe
- metalurgia do bronze
- comércio a grande escala - espadas, facas...






Origem do continente Africano - 4,2 e 1 milão de anos
Consideram-se 9 espécies repartidas por 3 géneros:
- Australopitecus;
- Paranthropus;
- Kenyanthropus, todos com hábitos de vida tal como o aspecto em que pouco diferiam dos chimpazés.
entre cerca de 2,5 e 1,6 milhões de anos, as duas primeiras espécies atribuidas ao género Homo:
- Homo habilis;
- Homo rudolfensis, ambas tinham dentadura mais delicada e face mais plana do que a dos Australopitecus, em que vão ser os inventores da primeira técnica de talhar a pedra.
a sua filiação no género Homo, negando-se o estatuto de primeiros homens, coabitam com eles, a partir de há cerca de 1,9 milhões de anos, o Homo ergaster e o Homo erctus, ainda na África Oriental.
Houve então concenso, tratando-se de verdadeiros homens.
com a silhueta erecta, são tão semelhantes, que por vezes, são agrupados na mesma espécie Homo erectus.
o Homo erectus e o Homo ergaster são os primeiros a dominar o fogo, adequirindo uma bipedia semelhante à nossa, libertando-se da vida exclusivamente arboricola, aprendendo a produzir instrumentos em pedra (bifaces), podendo facilmente esquartejar a caça e constrõem as primeiras habitações resistentes ao frio e às intempéries.
Foram os primeiros a deixar África, através do Oriente Médio, instalando-se na Europa e na Ásia, mas sem deixare, de habitar no continente de origem.
em vários locais destes 3 continentes têm sido encontrados restos fósseis destes hominídios, inicialmente designados por:
- Pithecanthropus erectus;
- Sinanthropus pekinensis, mas hoje agrupados à espécie Homo erectus.
Terá sido a partir dos descendentes dos Erectus e dos Ergaster que, entre 200-150 mil anos, se terá desenvolvido a espécie Homo sapiens, caracterizado por um esqueleto mais leve, de tamanho médio de 1,70 m, queixo proeminente e crânio redondo. As arcadas supreciliares proeminentes foram desaparecendo ao longo do processo evolutivo, enquanto que a face e os dentes foram diminuindo de tamanho.

em 1959 o Dra. Mary Leakey desciobriu umcrânio de um "zinjanthropus", renomiado Australopitecus boisei, viveu há cerca de 1,75 milhões de anos.

- Australopitecus africanus australis (descoberto por Dart a 1924), datado de 2,5 - 1,6 milhões de anos.
O nome significa "macaco do sul", era nómada das savanas do leste de África, sobretudo viveu no sul do continente, entre 3-1 milhões de anos, foram encontrados 2 maxiláres e os 4 dentes, posteriormente redatados em 15 mil anos, pesava 40 kg e media 1,05m, o seu cérebro era mais ao menos do tamanho de um chimpazé.
já andava erecto e talvez usasse ferramentas rudimentares, como paus e pedras.

o menino de Taung, descoberto por Raymond Dart
Por volta de 2,5 milhões de anos, surge um Australopitecus que incluía carne na sua alimentação, podendo ser carnívoro, o que possibilitou uma diminuição o tamanho do estômago e um acumulo de protéinas que resultou no aumento do cérebro e o surgimento de uma espécie, Homo habilis (no Plioceno Superior).

Ásia
- Pithecanthropus (Europa)
- Javanthropus (homem de java - Indonésia)
- Sinanthropus (homem de Pequim)
Datam de há 500 mil anos.

o home de Gibraltar é o mais parecido connosco.

- Homo sapiens Neanderthalensis - homem de Neanderthal, é o mais semelkhante aos homens, datado de 150-34 mil de anos.
Encontrava-se na Europa, Oriente Médio e Norte de Ásia. viveu na época do Pleitoceno Médio (120 mil anos), existem crânios e ossos.
Era igual ao Homem Moderno, mas sofria de raquitismo comprovado.

- Homo sapiens
Homo sapiens arcaico, viveu aproximadamente há 800 mil anos. Começa a demonstrar os primeiros sinais de civilização.
É uma incógnita o lugar de origem, talvez seria África o que para outros seria o Oriente.
Os fósseis mais antigos do homem moderno datam de 40 mil anos, encontrados na localidade de Cro-Magnon, ma região francesa de Dordogne em 1868.
Mas o homem de Cro-Magnon foi apenas uma das primeiras raças da espécie humana.

- Homo sapiens sapiens, foi gerando inúmeras raças ao se espalhando pelo mundo.
Surgiram através da variação biológica, como a cor da pele, do cabelo, formato do crânio e do nariz.
Resultaram da adaptação biológica ao meio ambiente, por parte da população que permaneceram isolados em determinadas regiões durante certo tempo.

Os primeiros habitantes da América foram originários do Velho Mundo, ou seja, da Euroásia, e pertenciam todos à espécie do Homo sapiens sapiens.

- Ardipithecus ramidus e Ardipithecus ramidus kadabba
Hominídios datados em 4,4-4,5 milhões de anos.
Descobertos por Tim White em 1994, na região de Midder Awash na Etiópia.
Originalmente incluindos entre os Australopithecus, mas porteriormente foi verificado que diferiam muito, inclusive destacando a hipótese de serem antecessores.
Foram encontrados vários ossos de 17 esécimes.
Não podendo ser comprovado o seu bipedismo, viviam em florestas;
Provavelmente esta espécie é co-irmã dos Australoputhecus;
Não é um ancestral dos hominídios (provavelmente esteja mais ligado à linhagem dos chimpazés).
Fragmentos fósseis encontrados no deserto central da Etiópia, esta área represnetava uma das mais férteis do mundo para busca de fósseis humanos.

- Australopithecus anamensis
Hominídeo descoberto em 1994 por Maeve Leakey em Kanapoi e Allia Bay, no norte do Quénia.
Os fósseis (9 de Kanapoi e 12 de Allia Bay) incluem mandíbulas superiores e inferiores, fragmentos cranianos, e partes superiores e inferiores do úmero, achado 30 anos atrás.
Os fósseis de Knapoi foram datados em 4,2 milhões de anos, os de Allia Bay a 3,9 milhões de anos.
Os crânios eram relativamente grandes, a tíbia implica que o anamensis era maior que os ramidus e o afarensis, pesava cerca de 45-56 kg, anatomicamente implicava que tinha uma postura humana e locomoção bipede.
A descoberta desta espécie empurrou a origem do bipedismo meio milhão de anos atrás.
Possuia caracteristicas faciais semelhantes à dos Australopithecus afarensis, ou seja, com aspecto de macacoide.
Dado a datação e localização, os Australopithecus anamensis poderiam ser possiveis antepassados de Lucy.

- Australopithecus afarensis
É o hominídeo mais antigo que se conhece.
Os fósseis acahdos na Etiópia, Tanzânia e Quénia, datam entre 2,9-3,9 milhões de anos.
os primeiros fósseis foram encontrados por Johanson em 1974, em que este defende que a explicação à diversidade de tamanhos entre a multidão de fósseis de afarensis é feita atraves do dimorfismo sexual, enquanto para outros antropologos, tais fósseis pertencem a 2 ou talvez até mais espécies.
Os fósseis de hominídios etíopes foram achados na região de Hadar por Donald Johanson.
Foram encontrados mais de 30pécimes, o mais espectacular era o esqueleto parcial denominado "Lucy" e além disso, foram encontrados restos de 13 indivíduos num único local, denominado por "A primeira família".
Leakey e Hay encontraram rastos de pegadas de 3 induvíduosbípedes em Laetoli, datam de 3,6 milhões de anos, em que o rasto ficou fixado entre depósitos de cinza vulcânica.
Não se conhece muito sobre o comportamento dos Australopithecus afarensis, é assumido que viviam em pequenos grupo sociais, estavam presentes num clima seco.
Os dentes são pequenos e não-especializados, indicando uma dieta onívora de alimentos principalmente suaves, como frutas. Os caninos são pequenos e pouco desenvolvidos ao contrário dos macacos, que são mais parecidos com os humanos.
Em geral, os dentes são como os dos humanos modernos, embora eles não fizessem uso de ferramentas ou uso de fogo.
Apesar de possuírem uma postura bípede estes possuem braços longos.
O dimorfismo sexua(homem e mulher - um casal) é bastante acentuado nesta espécie, com os machos aproximadamente mais altos e maiores que as fêmeas.

- Australopithecus africanus
O primeiros foi descoberto por Raymond Dart, em 1924.
O menino de Taung, indivíduo jovem, mais parecido com um macaco, que possuía face, parte do crânio, a mandíbula completa e um molde do crânio.
Considerado como o "macaco do sul da África".
Apresenta caracteristicas próximas dos macacos com uma face protusa e cérebro pequeno, com dentição tipicamente humana, possui caninos pequenos e molares grandes e planos. De postura bípede, indicada pela posição central da espinha, pélvis e fémur.
Datados de 3,5-2,5 milhões de anos.
ormavam uma unidade familiar e não um grupo, possuiam pele escura e com pouco pelo (supõem-se que deriva-se das condições ambientais, devido à sua localização perto do Equados, teriam que ter um sistema de difusão de calor, para prevenir o super aquecmento; conferindo-lhe um tecído epitelial (pele) como sistema de refrescamento, a falta de pelos seria para poderem trabalhar mais eficasmente).

- Australopithecus aethiopus
Alan Walker encontrou 1 crânio em 1985 no lado ocidental do Lago Turcana ao norte da Tanzânia.
O crânio era o mais robusto dos descobertos até ao momento, datado em 2,5 milhões de anos, com enormes molares, anatomia da face e demais caracteristicas não indicam um final de linhagem evolutiva.
Com esta descoberta afecta a forma d árvore geneológia dos hominídeos, permanecendo até hoje em discussão.


AINDA EM CONSTRUÇÃO E OBTENÇÃO DE CONHECIMENTOS

sexta-feira, 30 de maio de 2008

"Stonehenge foi cemitério de reis"

Diário de Notícias, 30/05/2008, por FILOMENA NAVES

Durante 600 anos pelo menos, ao longo do terceiro milénio a.C,
Stonehenge, o monumento megalítico mais misterioso de Inglaterra foi
utilizado como cemitério. Mas isso não é tudo. Os restos mortais ali
enterrados pertencem provavelmente a uma única família de chefes, ou
reis, que governaram ao longo de toda essa época.

Esta é principal conclusão das escavações feitas no local, em Agosto e
Setembro do ano passado, por arqueólogos liderados por Mike Parker
Pearson, da universidade de Sheffield, na Grã-Bretanha, e apoiada pela
National Geographic Society. A descoberta só foi possível graças à
datação por radiocarbono, realizada pela primeira vez em restos
mortais encontrados junto ao monumento.

"É claro para nós agora que Stonehenge teve carácter funerário em
todas as suas etapas", explicou ontem Parker Pearson em Washington, na
conferência em que foram divulgados os resultados das escavações
realizadas no Verão. O arqueólogo inglês sublinhou ainda que
"Stonehenge foi utilizado como cemitério desde a sua construção até ao
seu abandono final, por volta de meados do terceiro milénio a.C.".
Supunha-se até agora que essa prática teria ocorrido apenas entre 2700
e 2600 a.C.

Os restos das cremações, que datam da época em que Stonehenge foi
construído, em 2500 a.C., são no entanto parte apenas do que foi
encontrado e pertencem a um período tardio, "demonstrando que o local
foi reservado ao enterro dos mortos durante muito mais tempo do que
pensávamos", como notou Parker Pearson.

Os restos mortais mais antigos, e datados por radiocarbono pela
equipa, datam de 3030 e 2880 a.C.. Os mais recentes, que correspondem
a uma mulher de 25 anos, que foi cremada e enterrada entre 2570 e 2340
a.C, por volta da época em que se calcula que tenham sido erigidas as
pedras gigantes na planície de Salisbury.

Os restos mortais analisados, constituídos por ossos carbonizados e
dentes, foram encontrados na chamada vala de Audrey, um fosso circular
que rodeia o monumento com o mesmo formato. O seu estudo permitiu
levantar a hipótese de que eles pertencem a uma única família,
"provavelmente a uma linhagem real da época na região", como explicou
ontem o arqueólogo Parker Pearson.

Um dos indícios que sustenta esta tese avançada por Andrew
Chamberlain, arqueólogo na universidade de Sheffield também, e
co-autor do trabalho em Stonehenge, é que o número de sepulturas vai
aumentando à medida que os séculos avançam. De acordo com a equipa,
isso significaria o aumento natural da descendência, de geração em
geração.

Outra característica que apoia a tese da linhagem real das pessoas que
ali foram sepultadas tem a ver com o próprio carácter monumental da
jazida. "É muito difícil pensar que pessoas comuns fossem enterradas
em Stonehenge. Os chefes de uma tribo do Neolítico terão assim sido
responsáveis por erigir o monumento e foram enterrados ali", explicou
o líder da equipa.

E se estes enigmas parecem agora resolvidos, outros permanecem. Porque
razão foi Stonehenge erigido naquela região, onde há outros monumentos
megalíticos, embora de menor dimensão? Esse mistério permanece
insolúvel, por enquanto. Novas pesquisas poderão no futuro lançar uma
luz sobre ele.

O trabalho de Pearson e as suas descobertas irão para o ar no National
Geographic Chanel, no domingo, pelas 20.00, no documentário
"Stonehenge decifrado".

domingo, 25 de maio de 2008

Mértola: à vista vestígios das épocas romana e paleocristã

  
PÚBLICO, 25 de Maio de 2008 - 16h38

Instalação de esgotos em Mértola põe à vista vestígios das épocas
romana e paleocristã

Por Carlos Dias

Trinta sepulturas ocupadas com esqueletos, vasos de cinzas em vidro e
uma necrópole de incineração estão entre os achados já recolhidos no
local

a A necessidade de instalar uma rede de esgotos no eixo comercial de
Mértola obrigou a abrir valas que puseram a descoberto diversos
vestígios arqueológicos, que os especialistas dizem conter "muitas
novidades".

Qualquer intervenção no solo realizada no centro histórico de Mértola
suscita sempre expectativas sobre o aparecimento de sinais dos
diferentes períodos históricos que marcaram a vila erguida na margem
direita do rio Guadiana. Por ela passaram e viveram, durante longos
períodos, fenícios, cartagineses, romanos, visigodos e muçulmanos.

As obras na rede esgotos iniciaram-se na Rua Alves Redol, local onde
foram descobertas estruturas e cerâmicas da época romana e alicerces
de um torreão do castelo de Mértola, desenhado por Duarte d"Armas no
princípio do século XVI.

Uma intervenção realizada na mesma rua em 2002 já tinha exposto alguns
vestígios arqueológicos. Agora foi trazida à luz do dia "uma necrópole
de incineração com muitas novidades", explicou ao PÚBLICO Virgílio Lopes
, investigador do Campo Arqueológico de Mértola (CAM),
destacando o aparecimento de vasos de vidro onde estavam
acondicionadas cinzas de corpos incinerados. "Penso ser a primeira vez
que um objecto destes é recuperado em território nacional" admite o
arqueólogo.

Da necrópole de incineração foram recuperados vestígios do sítio onde
eram colocadas as urnas e do local onde se queimavam os cadáveres.
"Recolhemos restos de incinerações", salienta António Virgílio para
frisar que os arqueólogos tinham notícias da necrópole de incineração
mas que esta ainda não tinha sido localizada. Na Rua Serrão Martins,
próximo do Cine-teatro Marques Duque, foram também encontradas mais de
30 sepulturas datadas do período paleocristão. O cine-teatro, que já
foi capela de pescadores, poderia ter tido nas proximidades um templo
paleocristão à volta do qual se enterravam os mortos.

Há documentos que confirmam o testemunho de Estácio da Veiga, o pai da
arqueologia portuguesa que em meados do século XIX "assistiu à
abertura da estrada real que ligava Mértola a Beja e passava junto ao
actual cine-teatro e viu lápides e túmulos", nota Virgílio Lopes.

Agora foram identificadas 30 sepulturas ainda em bom estado de
conservação, com lajes de cobertura e esqueletos. Muitas são de
crianças, eventuais vítimas de um foco de peste. Os corpos
encontram-se enterrados numa posição nascente/poente, em função do
juízo final em que os mortos se erguem e ficam virados para Jerusalém.

"O saber viver ao lado dos outros e entender as suas culturas sem a
tentação de as assimilar" é "a grande mensagem do mundo mediterrânico"
que a pesquisa arqueológica tem revelado em Mértola, referiu o
arqueólogo Cláudio Torres, responsável pelo CAM.

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Boa Tarde!
Uma notícia no Diário IOL, de 18 de Maio de 2008, com o seguinte texto:
"
"Harrison Ford é mesmo arqueólogo
Instituto de Arqueologia norte-americano convidou o actor para director

Harrison Ford tornou-se director do Instituto de Arqueologia norte-americano. O protagonista de «Indiana Jones» foi convidado a juntar-se à organização devido entusiasmo que o seu papel tem tido junto do público, noticia o site Female First.
O presidente do instituto, Brian Rose, agradeceu a contribuição de Harrison Ford, afirmando que a personagem de «Indy» aumentou exponencialmente o interesse pela exploração arqueológica.
O papel do actor dentro da instituição não foi, no entanto, divulgado.
Ford, de 65 anos, gravou recentemente o quarto filme da saga de Indiana Jones - «Indiana Jones e o reino da caveira de cristal»- que será exibido nos cinemas a partir da próxima semana. "

segunda-feira, 12 de maio de 2008

domingo, 4 de maio de 2008

Gogol Bordello

Trupe cigana com atitude punk. Motim à vista!



Os Gogol Bordello são uma das bandas mais procuradas do Verão português: depois de encerrarem o Festival de Músicas do Mundo, em Sines, marcam presença em Paredes de Coura, na mesma noite de New York Dolls e Mão Morta. À BLITZ, Eugene Hütz, o ucraniano que no final dos anos 90 pôs esta trupe em



Super Taranta! SIDE ONE DUMMY/COMPACT RECORDS
Circo cigano, manifesto político e punk folclórico – está tudo no excêntrico quarto álbum dos nova-iorquinos (pelo menos no papel) Gogol Bordello.


movimento, garante que se sente confortável «em qualquer cenário.



Super Taranta! SIDE ONE DUMMY/COMPACT RECORDS
Circo cigano, manifesto político e punk folclórico – está tudo no excêntrico quarto álbum dos nova-iorquinos (pelo menos no papel) Gogol Bordello.

Já tocámos
na Tate Gallery, em casas ocupadas, na Brixton Academy, em festivais de rock, de world-music, na BBC, no Barbican [Center], em festivais de jazz... A verdade é que somos o tipo de banda que desafia qualquer categorização e acaba por se distinguir onde quer que vá», acredita. «Somos únicos e estou muito à vontade com esse estatuto».

Praticantes de uma amálgama de músicas do mundo, tingidas pelo folclore da Europa de Leste mas também pelo punk e pelo dub, os Gogol Bordello nasceram 2 ou 3 coisas a fixar

O nome da banda é uma homenagem a Nikolai Gogol, escritor de origem ucraniana que a banda admira por ter divulgado a cultura daquela região na Europa Ocidental.
São fãs de Manu Chao, Taraf de Haidouks ou Fanfare Ciocarlia.
Eugene Hütz também é actor, tendo protagonizado o filme Everything Is Illuminated, ao lado de Elijah Wood.
Site



em Nova Iorque e cedo estenderam os seus tentáculos multi-étnicos. 2 ou 3 coisas a fixar

O nome da banda é uma homenagem a Nikolai Gogol, escritor de origem ucraniana que a banda admira por ter divulgado a cultura daquela região na Europa Ocidental.
São fãs de Manu Chao, Taraf de Haidouks ou Fanfare Ciocarlia.
Eugene Hütz também é actor, tendo protagonizado o filme Everything Is Illuminated, ao lado de Elijah Wood.
Site


Da
formação actual, constam dois russos, um israelita, um etíope, um escocês de origem asiática e dois americanos. A confluência de tão díspares nacionalidades ajuda a compreender o teor político da banda: «Não me considero uma pessoa política», esclarece Eugene. «Mas vimos de territórios tão politizados que isso acaba por entranhar-se nas nossas canções. Eu tento resolver essas tensões através da música». O processo, diz quem já viu o grupo ao vivo, passa por uma forma quase anárquica de celebração. «Concentramo-nos em arrancar uma reacção às pessoas, em destruir a passividade», anuncia o vocalista, conhecido pelas perigosas acrobacias em FACTO
O líder dos Gogol Bordello, Eugene Hüntz, deixou a sua Ucrânia natal após o acidente nuclear de Chernobyl, tendo passado a viver com os pais, nos Estados Unidos, como refugiado. Tinha 14 anos aquando da emigração forçada.




palco. FACTO
O líder dos Gogol Bordello, Eugene Hüntz, deixou a sua Ucrânia natal após o acidente nuclear de Chernobyl, tendo passado a viver com os pais, nos Estados Unidos, como refugiado. Tinha 14 anos aquando da emigração forçada.



«Muito do que faço é espontâneo, outras coisas… é como o Bruce Lee!
Não podes coreografar uma luta, porque não sabes o que vai acontecer. Cada noite é diferente».

Na passagem pelo programa Jools Holland, a música dos Gogol Bordello foi descrita como «uma luta entre os Clash e os Pogues, na Europa de Leste». Entre risos, Eugene dá a machadada final: «… enquanto no backstage os Mano Negra estão a curtir com os Parliament e os Funkadelic!».

by Blitz

Navio ibérico quinhentista encontrado na Namíbia

De Beers Finds Shipwreck, Treasure From Columbus Era (Update2)

By Chamwe Kaira


April 30 (Bloomberg) -- De Beers, the world's biggest undersea diamond miner, said its geologists in Namibia found the wreckage of an ancient sailing ship still laden with treasure, including six bronze cannons, thousands of Spanish and Portuguese gold coins and more than 50 elephant tusks.

The wreckage was discovered in the area behind a sea wall used to push back the Atlantic Ocean in order to search for diamonds in Namibia's Sperrgebiet or ``Forbidden Zone.''

``If the experts' assessments are correct, the shipwreck could date back to the late 1400s or early 1500s, making it a discovery of global significance,'' Namdeb Diamond Corp., a joint venture between De Beers and the Namibian government, said in an e-mailed statement from the capital, Windhoek, today.

The site yielded a wealth of objects, including several tons of copper, more than 50 elephant tusks, pewter tableware, navigational instruments, weapons and the gold coins, which were minted in the late 1400s and early 1500s, according to the statement.

The Namibian government will claim ownership of the treasure found, Halifa Mbako, group corporate affairs manager at Namdeb, said in a telephone interview from Windhoek today.

Namibian Law

``By Namibian law, discoveries of this nature belong to the state,'' he said. ``The discovery was found in our mining area, but the treasure belongs to the state.'' The Namibian government is in consultations with the governments of Spain and Portugal to try and identify the ship, which was most likely a trading vessel, given the goods on board, said.

On April 1, Bob Burrell, the head of Namdeb's Mineral Resource Department, found some rounded copper ingots and the remains of three bronze cannons in the sand.

``All mining operations were halted, the site secured and Dr. Dieter Noli, an archaeologist and expert in the Sperrgebiet, was brought into the project and identified the cannons as Spanish breach-loaders of a type popular in the early 1500s,'' Namdeb said.

The find may be the oldest sub-Saharan shipwreck ever discovered, Namdeb said.

``If this proves to be a contemporary of the ships sailed by the likes of Diaz, Da Gama and Columbus, it would be of immense national and international interest and Namibia's most important archaeological find of the century,'' according to the statement.

Diamonds have been mined along the south-western coast of Namibia and in its coastal waters for the last 100 years. De Beers, the world's largest diamond company, is 45 percent owned by Anglo American Plc, 40 percent held by the Oppenheimer family and 15 percent owned by the government of Botswana.

To contact the reporter on this story: Chamwe Kaira in Windhoek via Johannesburg at abolleurs@bloomberg.net.


"Destroços descobertos no Atlântico sul devem ser de barco português

Público, 04.05.2008, por Sérgio C. Andrade

A descoberta de destroços daquilo que se presume seja uma caravela portuguesa do tempo dos Descobrimentos ao largo da Namíbia, no Atlântico sul, está a criar justificado alvoroço nos meios arqueológicos nacionais.

A notícia do achado foi ontem divulgada pela Lusa, que cita Lynette Gould, uma porta-voz em Londres da empresa sul-africana De Beers, especializada na mineração e comércio de diamantes. Foi uma equipa de geólogos que trabalhava para essa empresa que descobriu os destroços de madeira e, junto a eles, aquilo que se acredita seja parte da carga da embarcação, na qual estarão moedas e outras peças em ouro.

De imediato se pensou que a caravela em causa poderia ser aquela em que o navegador português Bartolomeu Dias (c. 1450-1500) naufragou, quando integrava a frota de Pedro Álvares Cabral e rumava à Índia, depois da descoberta do Brasil.

À Lusa, o arqueólogo Francisco Alves realçou a importância da descoberta, e a necessidade de investigações suplementares, mas considerou uma "perfeita especulação" acreditar-se que se trata da caravela de Bartolomeu Dias. "Como arqueólogo, penso que é uma grande descoberta. E tenho um palpite, muito alicerçado e com base em tudo o que veio ao de cima na Internet, de que efectivamente é um navio português" do século XVI, salientou o director da divisão de Arqueologia Náutica e Subaquática do Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico.
Francisco Alves, que o P2 não conseguiu ontem contactar, sustentou a sua posição na análise de fotografias de moedas recuperadas do fundo do oceano, e que lhe parecem provadamente portuguesas. "A moeda que mostram, embora seja o reverso, foi identificada por um colega meu, Paulo Alexandre Monteiro. É indiscutivelmente uma moeda de D. João III [1502-1557], que foi cunhada a partir de Outubro de 1525". O arqueólogo acrescenta que a moeda de ouro em causa, com o valor facial de 10 cruzados, chamava-se "português" e era "uma das mais prestigiantes" da época.

Francisco Alves comentou também à Rádio Renascença que, "qualquer arqueólogo que se preze, é cauteloso antes da observação, e muitas vezes são mais as perguntas que ficam do que as respostas que dão estes achados". Mas acrescentou que este é um achado que deve ser acompanhado de perto e que se pode mostrar como "uma janela que se abre sobre o passado"
Já Lynette Gould disse à Lusa que a De Beers e o governo namibiano vão fornecer mais informações sobre o achado na semana que vem, e também que os governos de Portugal e de Espanha vão depois ser contactados para eventuais investigações conjuntas com o Conselho da Herança Nacional da Namíbia, que está a fazer o inventário do achado.

O assessor de imprensa do Ministério da Cultura, Rui Peças, disse que o governo português não foi ainda contactado oficialmente. "O que vamos fazer, em articulação com o Ministério dos Negócios Estrangeiros, é tomar todas as diligências junto da De Beers e do governo namibiano para saber o que se passa e o que está em causa", disse à Lusa."


Restos humanos encontrados no naufrágio da Namíbia

Seria interessante ter lá um antropólogo....



"Shipwreck's a gold mine for thrilled archaeologist


The Cape Times, published May 04, 2008 by Rowan Philp


Dieter Noli thought a small bag would be sufficient to hold priceless gold coins from the shipwreck. Within an hour, he realised he needed to use his Stetson hat.

But by the end of the day, the archaeologist needed a bucket to hold the ship's treasure, as 2500 coins, minted around 1500AD for Spain's Queen Isabella, emerged from the Namibian sea bed.

Unearthed by a De Beers mining operation on the Namibian coast this month, the ship — thought to be a Columbus-era Portuguese explorer — has been hailed as the greatest maritime archaeological discovery in Southern Africa.

The unusually large store of gold also represents one of its greatest mysteries since the vessel, which was "armed to the teeth", was already on its way home, fully laden with an equally mysterious cargo.

Noli, 52, said it was "the most gold ever found at an archaeological site in Africa since the huge find at the Valley of the Kings in Egypt".

He said the evidence suggested that a rogue captain, or even a pirate, may have died in a bid to complete a medieval African arms deal.

The ship, thought to be a 25m "caravel", of the type used by Christopher Columbus, was discovered on April1, when a geologist, Bob Burrell, noticed copper ingots in a coastal mining site operated by De Beer's local subsidiary, Namdeb.

Protected by a 30m- high earthen "sea wall" erected by the company, 12km north of Oranjemund, the site is a strip of excavated ocean bed, 7m below sea level and 200m out from the beach.

Although the ship is completely destroyed, metal artefacts and some human bones were concentrated in a 500m² layer of sand. A large rock that likely sank her stands just metres from where 10 cannons were found.

Noli, chief archaeologist on the project, said: "Never in a million years would this ship have been found, if it weren't for the mining operation. But I knew it would happen — I told them sooner or later you'll find a wreck; and I've been waiting patiently for the last 20 years … but now: jackpot! "

The excavation uncovered a box of muskets, a box of swords and five different types of cannons. Some weapons were so outdated, even for the time, that it suggests that the captain stuffed the arsenal with anything he could lay his hands on.

Robert Blyth, curator of Imperial History at Britain's National Maritime Museum, said the find was "of great significance, internationally".

"For such an early voyage to be trading in that part of the world, so soon after the pioneers, is very significant, and will hopefully tell us a lot more about how Europe pushed out," said Blyth.

Aside from more than 50 tusks, Noli's team recovered more than six tons of copper, and "tons more" of a metal thought to be tin — "which is the combination you'd need to make cannons".

"(The ship) was carrying strategic raw materials, a huge amount of gold, a big and pretty strange arsenal and she seems to have been sailing on her own," said Noli. "And she was doing it in the time of the explorers, not the traders."

He said two human bones had been preserved by decayed iron, along with bone splinters and a set of toes, still attached to a shoe sole.

Namdeb spokesman Hilifa Mbako said the Portuguese and Spanish governments were informed of the remains, and maritime authorities there have been asked to help identify the vessel."