sábado, 9 de agosto de 2008
Cientistas fazem ensaio para sequenciar o genoma completo do homem de Neandertal
Cientistas fazem ensaio para sequenciar o genoma completo do homem de Neandertal Publico, 08.08.2008, Clara Barata A sequenciação de todo o ADN mitocondrial de um osso fossilizado de umhominídeo que viveu há 38 mil anos mostra que é possível ser maisambicioso A Os homens de Neandertal e nós, que somos todos Homo sapiens,partilhámos um último antepassado há cerca de 660 mil anos. E, deacordo com a análise da sequência completa do genoma do ADN mitocondrial destes humanos que desapareceram da face da Terra há cerca de 35 mil anos, os seus genes não se terão misturado com os nossos: neandertais e homens modernos até podem ter tido relaçõessexuais, e eventualmente até filhos, mas não terão tido netos que deixassem marcas genéticas na população actual. A equipa que publica hoje os seus resultados na revista Cell écoordenada por Svante Pääbo, do Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva, na Alemanha - que tem como objectivo sequenciar o genoma completo do Neandertal, para o comparar, gene a gene, com o dos humanos modernos. A tecnologia actual de sequenciação genética permitiu sonhar com este projecto, até há muito poucos anos impossível. Este trabalho, usando ADN extraído de um osso de Neandertal com 38 mil anos, encontrado na gruta de Vindija, na Croácia, foi uma espécie de ensaio para esse projecto, que a equipa, aliás, já iniciou. Por ora, o que fizeram foi mais modesto: sequenciaram, com um enormegrau de precisão (repetiram 35 vezes, para eliminar erros) todos os genes das mitocôndrias, pequenas estruturas que existem no interior da célula, e são responsáveis por lhe fornecer energia. Mas este ADN está separado do do núcleo, que é onde se encontram todas as instruções genéticas para criar um ser humano. Além disso, é transmitido degeração em geração intacto, pela linha maternal, sem se misturar comos genes das mitocôndrias das células do pai. Os cientistas descobriram que os Neandertais, que sobreviveram na Europa durante uma glaciação, devem ter sido mesmo muito poucos. A população seria tão reduzida que a selecção natural seria pouco eficaza eliminar as pequenas mutações genéticas que podem ter grandes impactos na saúde do indivíduo, por si só ou em resultado da acumulação destas gralhas genéticas. "A maior parte dos cientista sacredita que, há 40 mil anos, existiam apenas uns poucos milhares de Neandertais na Europa. Mas ainda há que saber se isto era uma característica geral, ou se foi uma redução com origem nalgum evento específico", comentou Johannes Krause, um dos autores do trabalho, citado num comunicado de imprensa da Cell. Os cientistas identificaram também mudanças numa das 13 proteínas cuja produção é comandada pelo gene COX2 do ADN mitocondrial - mas esta não parece acarretar diferenças funcionais. "É uma descoberta intrigante, mas não sabemos o que significa", disse o primeiro autor do artigo,Richard Green.
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