terça-feira, 2 de setembro de 2008

Açores: Descobertos destroços da fragata francesa "L'astrée" quenaufragou junto ao Pico em 1796

28 de Agosto de 2008, 09:45

*** João Aranda e Silva, da Agência Lusa ***

Angra do Heroísmo, 28 Ago (Lusa) - Uma equipa de investigadores daDirecção Regional da Cultura (DRCAç) dos Açores localizou, pelaprimeira vez, os destroços da fragata francesa "L'ástrée" que afundoujunto de Santo Amaro do Pico, a 29 de Janeiro 1796. Catarina Garcia, arqueóloga da DRCAç, disse à Agência Lusa que "afragata encontra-se a oito metros de profundidade numa zona deorografia difícil com rochedos e abismos próximos que vão a mais decinquenta metros de profundidade". "É um sítio difícil e até mesmo assustador o que leva agora acompreender porque foi difícil encontrar os vestígios do naufrágio",explicou a arqueóloga. No acervo da Biblioteca Publica de Angra do Heroísmo, encontra-se umacarta do Juiz de Fora da Ilha do Pico que dá conta da ocorrênciasublinhando que "naufragou na Costa do Norte desta Ilha, junto a humlugar chamado de Santo Amaro, do termo desta Villa, huma FragataFranceza denominada Astrea". "Vinha da Ilha Guadelupe, para França, carregada de asucar, e café daConvençaõ, trazendo 18 peças d' artilharia de guarniçaõ, e 180pessoas", específica a correspondência. O Juiz, Luiz Correia Teixeira Bragança, faz o balanço do desastre,especificando que "de toda aquella gente somente se salvaraõ 57pessoas; a saber 7 Inglezes (de 12 que vinhaõ na Fragata comoprizioneiros de guerra), e 50 Francezes, tudo Marinheiros, e algunsofficiais de manobra, morrendo 123". O magistrado explica mesmo as providências que tomou sublinhando quefoi logo ordenar "enterrar os mortos, por evitar algum contagio edepois de dár as providencias, que me pareseraõ necessarias, para sepôr a salvo tudo aquillo, que pudese sahir; recolhime para estaVilla". A situação na ilha do Pico, naquela altura, não era a melhor uma vezque "por espaço de des dias, que aqui se demoraraõ, trateios comhomanidade, sem os meter em prizaõ e ainda que o quisesse fazer naõ hánesta Villa cadeas, porque se demoliraõ, (palavra ilegível)inteiramente". Além disso, a ilha tinha falta de alimentos dizendo o juiz de fora que"contribuilhe o seu necessario sustento, quazi tudo á minha custa,athe emfim vendo que elles naõ podiaõ subsestir nesta Ilha, pela faltaque há nella dos generos da primeira necessidade estive para osremeter para essa Capital". É ainda o relato do juiz, acompanhado do seu escrivão, Joaquim José daRosa, que constataram que "a Fragata se tinha feito em pedaços e que omar (por ser neste Sitio o tempo muito tromentoso) logo levou consigoa mayor parte da dita Fragata deixando unicamente hum grande monte deCabos e algumas vellas envoltas com huns bocados de mastros". São estes vestígios que agora foram localizados e vão serinventariados pelos investigadores da Direcção Regional da Cultura. As acções dos investigadores têm por objectivo a continuada elaboraçãoda Carta Arqueológica Subaquática dos Açores (CASA). Os trabalhos, coordenados cientificamente pela DRCAç, têm o apoiotécnico, desde 2006, da fundação Rebikoff-Niggeler, com quem foiestabelecido um protocolo para pesquisas na costa sul da Ilha Terceirae que este ano se estendeu às ilhas do Pico e Faial. No âmbito das pesquisas a equipa de investigação esteve igualmentejunto do local (costa da Madalena-Pico) onde se afundou o navio"Caroline" (1901) que controlava o mercado europeu de adubos. Catarina Garcia revelou que "este local tem potencialidades de vir aser um parque arqueológico" uma vez que possui "uma enorme diversidadede vestígios em ferros numa área de cerca de 50 metros, em águascristalinas". "Vai ser efectuado um levantamento mais profundo e elaborado um mapaque sirva para o turismo arqueológico subaquático", disse ainvestigadora. Também entre os locais de Porto Pim e Praia do Almoxarife, na ilha doFaial, foram localizadas, a 40 e 50 metros de profundidade, diversasâncoras e locais de naufrágio, que vão agora ser estudados para a suaidentificação.

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