terça-feira, 25 de agosto de 2009

Al-Madan 16


Em paralelo com a edição impressa, está já disponível no site da revista (www.almadan.publ.pt) o N.º 16 da Al-Madan Online - Adenda Electrónica, com vários outros conteúdos distribuídos gratuitamente em formato PDF.

Aos interessados, deixa-se o respectivo índice.

Jorge Raposo


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Arqueologia

Dois Bronzes de Entidades Tutelares da Cidade Romana de Bracara Augusta, por Rui Morais

Escavações Arqueológicas no Quarteirão dos Antigos CTT (Braga): resultados preliminares, por Luís Fontes, Manuela Martins, Cristina Vilas Boas, José Braga, José Sendas e Fernanda Magalhães

A Necrópole Romana da Quinta da Torrinha / Quinta de Santo António, Monte de Caparica (III-V d.C.): incursão ao universo funerário, paleodemográfico e morfométrico, por Sandra Assis e Rui Pedro Barbosa

Levantamento Arqueológico do Concelho de Tábua, por Suzana Pombo dos Santos

Uma Primeira Leitura da Carta Arqueológica de Avis, por Ana Ribeiro

A Faiança Portuguesa nas Ilhas Britânicas: um projecto de investigação, por Tânia Manuel Casimiro

A Faiança Portuguesa no Mosteiro de S. João de Tarouca: metodologia e resultados preliminares, por Luis Sebastian e Ana Sampaio e Castro

Sepulturas Escavadas na Rocha do Monte do Biscaia (Gáfete, Crato), por Joana Valdez, Filipa Pinto e João Nisa

Pertinência da Análise Bioantropológica em Espólio Osteológico Humano Descontextualizado: o caso da necrópole da Igreja Matriz de Montalvão (Nisa), por António Matias e Cláudia Costa

A Musalla do Hisn Turrus (Torrão): uma hipótese de trabalho, por António Rafael Carvalho [em preparação]

Os Sítios do Paleolítico Médio na Margem Esquerda do Estuário do Tejo: a realidade arqueológica conhecida, por Rui Miguel Batista Correia



Opinião

A Relação Entre o Parque Arqueológico do Vale do Côa e a População Local: balanço da primeira década, por António P. Batarda Fernandes, Marta Mendes, Luís Luís, Thierry Aubry, Jorge Sampaio, Rosa Jardim, Dalila Correia, Ângela Junqueiro, Delfina Bazaréu, Fernando Dias e Pedro Pinto

O Papel da Bioantropologia na Recolha de Evidências de Violência Interpessoal, Ritual e Guerra Primitiva nos Restos Osteológicos Humanos, por Luís Faria e Eunice Gomes

A Persistente Ausência da Análise Etnográfica e Experimental no Estudo da Cerâmica Pré-Histórica em Portugal, por Gonçalo de Carvalho Amaro

A Influência dos Modelos de Importação da Cerâmica Fina nas Produções Madeirenses do Século XVII, por Élvio Duarte Martins de Sousa



Património

Um Passeio na Almada Oitocentista, por José M. Brandão



Livros
A Herança Romana em Portugal: um livro de Carlos Fabião, por José d'Encarnação, pp. 1-2

Balsa: uma cidade perdida?, por José d'Encarnação, pp. 3-4

A Torre de S. Sebastião a a Arquitectura Militar, por Francisco Silva, p. 4

Os Mosaicos Romanos no Sul da Hispânia, por Fernanda Lourenço, p. 4

A World History of the Nineteenth-Century Archaeology: recensão crítica, por Sérgio Gomes, pp. 5-7



Eventos
1º CPAE - Congresso Português de Arqueologia Empresarial: um contributo para reflectir e agir na Arqueologia portuguesa, pela Comissão Organizadora do 1º CPAE, pp. 1-2

Curso de Antropologia Biológica: um projecto de formação pluridisciplinar, por Maria Teresa Ferreira, Maria João Neves, Miguel Almeida, Lília Basílio e Eugénia Cunha, pp. 2-4

Estruturas Negativas da Pré-História Recente e Proto-História Peninsulares: estado dos conhecimentos e interrogações, por Miguel Almeida, Susana Neves, Maria João Neves e Maria Teresa ferreira, pp. 4-6



Notícias: actividade arqueológica
Arqueologia Preventiva no Concelho de Vila Franca de Xira: dados preliminares, por Andrea Martins e César Neves, pp. 1-2

Villa Romana de Vilares, Cascais: trabalhos arqueológicos em 2007-2008, por Lurdes Nieuwendam e Raquel Santos, pp. 2-3

Segunda Campanha de Escavações na Capela de São Pedro da Capinha: os materiais, por Constança Guimarães e Elisa Albuquerque, pp. 4-5

Notícia da 11ª Campanha de Escavações Arqueológicas no Sítio Pré-Histórico do Castanheiro do Vento, por Ana Margarida Vale, Vítor Oliveira Jorge, João Muralha Cardoso, Gonçalo Leite Velho, Bárbara Carvalho e Sérgio Gomes, pp. 6-7

Resultados de Intervenção de Arqueologia de Salvamento em Santarém: a Avenida do Brasil, por Claúdia Costa, pp. 8-9

Projecto ESTELA: do museu para o território, por Samuel Melro, Pedro Barros e Amílcar Guerra, pp. 10-11

Uma Estela Funerária Medieval em Vila Verde dos Francos, Alenquer, por Jaime Jorge Marques, pp. 12-13

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Revista Al-Madan -- Direcção

Centro de Arqueologia de Almada

Apartado EC 603 Pragal

2801-601 Almada

Tel. / Fax: 212 766 975

Telm.: 96 735 48 18

E-mail: director.almadan@clix.pt


Al-Madan Online em http://www.almadan.publ.pt
Foi recentemente identificado na freguesia das Donas, concelho do Fundão uma estátua-menir. Trata-se eventualmente de um monumento megalítico da Pré-História recente (Calcolítico) com reaproveitamento durante a Idade do Bronze Pleno (II Milénio a. C.) a qual corresponde a estela propriamente dita. Nas faces afeiçoadas figuram dois atributos uma espada e um bi-ancoriforme com respectivas correias de suspensão.

A estátua-menir já se encontra musealizada, poderá ser visitada pelo público no Museu Arqueológico do Fundão.




Museu Arqueológico Municipal do Fundão
In Diário de Notícias, 5-8-2009
http://dn.sapo.pt/inicio/ciencia/interior.aspx?content_id=1326608&seccao=Biosfera


Evolução
Uso de ferramentas por primatas alarga limites da arqueologia
por Lusa


Hoje

Uma equipa científica de que faz parte uma portuguesa propõe o alargamento da arqueologia ao estudo das ferramentas usadas por primatas não humanos e a criação de uma nova disciplina dedicada à evolução nessa área.

Num estudo publicado na revista Nature, os investigadores consideram que a arqueologia de primatas, a nova disciplina, é essencial para conhecer melhor as origens das tecnologias e da cultura material, e a importância do uso das ferramentas na ordem primatas, disse à Lusa a co-autora Susana Carvalho.

A arqueóloga portuguesa está actualmente na Universidade de Cambridge (Reino Unido) a fazer um doutoramento em arqueologia de chimpanzés, tendo para isso estudado a utilização de ferramentas de pedra por estes primatas em Bossou, na República da Guiné, e comparado utensílios simples usados para partir nozes com as primeiras indústrias de pedra conhecidas de hominídeos.

"A arqueologia foi sempre vista como a ciência que estuda a cultura material em humanos", disse Susana Carvalho.

"Agora, a partir da investigação que decorre na Guiné-Conacri, com chimpanzés, e no Brasil, com macacos capuchinhos, é necessário alargar essa noção de arqueologia a todas as culturas de primatas, investigando o seu uso passado e actual de ferramentas em habitat natural", frisou.

É que estes primatas não-humanos deixam para trás um registo arqueológico que, na sua perspectiva, pode ser estudado e escavado com as técnicas arqueológicas clássicas.

Segundo o conhecimento actual, as ferramentas humanas mais antigas datam de há 2,6 milhões de anos. Mas não se sabe exactamente quem foram os seus autores devido à coexistência nesse período de vários hominídeos, sendo que o Australopithecus garhi tem vindo a surgir como o mais sério candidato, em detrimento do Homo habilis.

Ao estudar o uso de martelos e bigornas pelos chimpanzés, Susana Carvalho acha possível saber como terão surgido as primeiras ferramentas, em que contexto, que pressões selectivas terão levado a isso ou por que razão só algumas espécies as usam.

"Os arqueólogos terão agora que pensar em como distinguir no registo arqueológico o legado material de humanos e não-humanos", sublinha a investigadora.

Num artigo publicado em Maio do ano passado no Journal of Human Evolution, Susana Carvalho descreveu a descoberta que fez em Bossou do quebra-nozes de pedra mais complexo construído por chimpanzés.

Esse quebra-nozes era constituído por quatro elementos de pedra, um martelo, uma bigorna e dois calços, quando só eram conhecidos instrumentos com três componentes.

O estudo publicado na Nature apresenta pela primeira vez um quadro comparativo que permite compreender os contextos biológicos, ambientais e sociais da evolução do comportamento dos primatas, através de análises da produção, utilização e acumulação de ferramentas.

Para os investigadores, a selecção de matéria-prima, a distinção das funções das ferramentas, o surgimento da posse e a reutilização preferencial das mesmas ferramentas levantam questões como saber se é possível distinguir entre registos arqueológicos humanos e não-humanos ou se é necessário rever a noção de pré-história baseada no antropocentrismo.

Nascida em Leiria em 1973, Susana Carvalho participou neste estudo integrada no Pounding Tool Working Group Research, coordenado por Jack Harris (Rutgers University, Museu Nacional do Quénia e Koobi Fora Field School). Faz também parte da equipa internacional do Primate Research Institute da Universidade de Quioto presente em Bossou e do Centro de Investigação em Antropologia e Saúde da Universidade de Coimbra.
A palaeolithic map from 13, 660 calBP: engraved stone blocks from the Late Magdalenian in Abauntz Cave (Navarra, Spain).‏


Equipa da Universidade de Saragoça publica estudo depois de 15 anos de investigação.



Para os grupos de caçadores nómadas da cultura magdalenense (15 mil a 10 mil a. C.) conhecer a paisagem era garantir a própria sobrevivência. A descoberta de um mapa gravado em pedra na gruta de Abauntz, em Navarra, Espanha, com 13660 anos, tornou-se já no achado mais antigo do género na Europa Ocidental.

A equipa de arqueólogos da Universidade de Saragoça, liderada por Pilar Utrilla, publicou agora o estudo sobre o achado no «Journal of Human Evolution», depois de 15 anos de investigações.

Em 1993, os investigadores encontraram na gruta dois blocos de pedra calcária com 20 centímetros de largura. Em 1994, descobriram outro bloco semelhante no mesmo estrato arqueológico. A datação por carbono 14 indicou que os blocos possam ter sido gravados há 13660 anos.



Num destes blocos reproduz-se com bastante precisão a paisagem circundante da gruta. Vê-se a montanha San Gregorio, bem como o rio, os seus afluentes e a planície.

Estão assinalados diversos círculos que representam, acreditam os investigadores, zonas que teriam água durante o Inverno. Podem também ver-se desenhos de animais que viviam nesse local.


Caverna de Abauntz

Para os investigadores, essas gravuras poderiam ser um esboço ou um mapa simplificado da área envolvente da caverna de Abauntz. Talvez representassem um plano de caça ou uma narrativa de uma história passada.

O estudo agora publicado aparece num contexto de recentes discussões sobre as capacidades do homem da pré-história de percepção espacial, de planeamento, organização e caça.

Os habitantes da zona teriam deixado registada a paisagem para se recordarem dos sítios ou dá-los a conhecer.

Pilar Utrilla começou a escavar a gruta em 1976, estimulada pelo antropólogo José Miguel de Barandiarán, já falecido.

Tinham já sido encontradas peças semelhantes mas apenas na Europa Central. Na Morávia (República Checa) descobriram-se gravuras em osso com representações semelhantes mas mais antigas.

Artigo:
A palaeolithic map from 13,660 calBP: engraved stone blocks from the Late Magdalenian in Abauntz Cave (Navarra, Spain), P. Utrilla, C. Mazo, M.C. Sopena, M. Martínez-Bea and R. Domingo, «Journal of Human Evolution», Volume 57, Issue 2, Agosto 2009, Pp. 99-111
Saiu no Diário da República, 1.ª série — N.º 157 — 14 de Agosto de 2009


Resolução da Assembleia da República n.º 76/2009

Recuperação do espólio arquitectónico de Conímbriga

A Assembleia da República resolve, nos termos do n.º 5 do artigo 166.º da Constituição, recomendar ao Governo a adopção urgente de medidas com vista a:

1 — Empreender as necessárias diligências, nomeadamente por recurso à expropriação ou à aquisição, tendentes a consolidar definitivamente na propriedade do Estado ou das demais entidades públicas adequadas os bens imóveis indispensáveis à realização das escavações, das operaçõesde conservação e restauro e da classificação e organizaçãodas parcelas em falta da cidade romana de Conímbriga.

2 — Avançar em definitivo com a escavação, conservação, restauro, classificação e valorização de todos esses bens, tendo em vista revelar e preservar adequadamente, em definitivo, a totalidade do acervo arquitectónico, histórico e patrimonial de Conímbriga.

3 — Dotar as entidades públicas responsáveis pela tutela e gestão do sítio de Conímbriga dos meios necessários à prossecução desses projectos.

Aprovada em 23 de Julho de 2009.

O Presidente da Assembleia da República, Jaime Gama.
Turistas ameaçam preservação dos túmulos do Vale dos Reis
Público, 25/98/98, por Luís Miguel Queirós

Os túmulos dos faraós egípcios no Vale dos Reis correm o risco de se deteriorar irremediavelmente, caso se mantenha o actual fluxo de turistas. O aviso partiu do próprio secretário-geral do Conselho Supremo de Antiguidades do Egipto, Zahi Hawass, que finalmente se decidiu a fazer soar o alarme, dando razão aos muitos arqueólogos que vêm denunciando os riscos da excessiva exploração turística da necrópole construída junto à cidade de Luxor, a antiga Tebas, na primeira metade do segundo milénio a.C..

"Os túmulos abertos ao público estão a sofrer um severo desgaste, quer na coloração dos frescos, quer nas gravuras", afirmou aos jornalistas Hawass, que estima que todo o complexo, com mais de 60 túmulos, possa estar irreconhecível dentro de 150 a 500 anos.

Em 2008, o Egipto recebeu 13 milhões de turistas, e uma boa parte deles não dispensa uma paragem no Vale dos Reis, que recebe cerca de seis mil visitantes por dia. Nos túmulos mais frequentados, a aglomeração de pessoas - que suam com o calor, tiram fotografias (apesar de estas serem proibidas) e transportam carteiras e sacos que vão raspando as paredes - está já a provocar sérios danos. E com a taxa de humidade no interior dos monumentos funerários a aproximar-se, por vezes, dos 100 por cento, muitos dos frescos começam a apresentar manchas escuras provocadas por fungos.

As autoridades egípcias já tomaram algumas medidas de preservação, estipulando que só 12 túmulos possam estar abertos ao mesmo tempo e apetrechando alguns deles com sistemas de ventilação. Mas estes esforços não têm sido suficientes para travar a degradação, e é bem possível que as estimativas de Hawass venham a revelar-se francamente optimistas. A arqueóloga Hourig Sourozian, que dirige a equipa que está a trabalhar nos colossos de Mémnon, duas estátuas gigantescas de Amenófis III, diz que "se nada for feito, alguns dos túmulos estarão irrecuperavelmente destruídos daqui a 25 anos".

Hawass, também ele um prestigiado arqueólogo, célebre pelo seu inseparável chapéu à Indiana Jones, abandonará no próximo ano, por limite de idade, as funções de responsável máximo pelos tesouros arqueológicos egípcios. Mas deverá prosseguir com a sua paixão dos últimos anos: as escavações de um provável túmulo identificado por radar, que Hawass acredita poder estar inviolado, como o de Tutankhamon, descoberto em 1922 por Howard Carter. O arqueólogo admite que possa tratar-se do túmulo de Ramsés VIII.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

No Parque Arqueológico do Vale do Côa
Painel de pinturas rupestres com cinco mil anos destruído em Almeida

Um dos painéis de granito com pinturas rupestres, com cerca de cinco mil anos, encontrado há sete anos na área da freguesia de Malhada Sorda, concelho de Almeida, foi destruído. O Parque Arqueológico do Vale do Côa (PAVC) lamenta o sucedido, considerando que existiu a “clara intenção” de fazer desaparecer aquele achado arqueológico.

A figura pré-histórica "foi completamente destruída, tendo sido lavada e repicada com a clara intenção de a fazer desaparecer, o que de facto foi conseguido", lamentou António Martinho Baptista, arqueólogo e pré-historiador de arte do PAVC, considerando que se trata de um "crime de lesa-arqueologia". "Apagaram mais de cinco mil anos de História", sublinhou em declarações à Lusa.

Segundo o arqueólogo, o sítio onde se encontra o achado era constituído por dois painéis verticais em granito, "ambos decorados com pinturas pós-glaciares em tons de vermelho". "A mais interessante figura" do conjunto era "uma figura zoomórfica em estilo seminaturalista, a fazer lembrar algumas das representações do Côa e até do Tejo", acrescentou.

Martinho Baptista explica que na figura destruída era visível "uma pequena cabeça perfilada em V, o pescoço fino e o corpo ovalado" de um animal, características que remetem "para a forma tipológica de um cervídeo fêmea".

Martinho Baptista, antigo director do extinto Centro Nacional de Arte Rupestre, relatou que o achado estava em "duas pequenas rochas" que constituam uma espécie de "abrigo" e foi encontrado por um casal residente em Malhada Sorda.

O presidente da Câmara Municipal de Almeida, António Baptista Ribeiro, disse que teve conhecimento do sucedido através do casal de Malhada Sorda que fez a descoberta e que "de imediato" comunicou o caso ao PAVC. "Da parte da autarquia nada mais havia a fazer, a não ser denunciar a situação às autoridades competentes, neste caso o PAVC", referiu.

O autarca assumiu tratar-se de uma ocorrência que o "preocupa" e disse que "o acto criminoso significa uma perda irreparável" para o património histórico concelhio.

11.08.2009 - 10h33 Lusa