quinta-feira, 29 de julho de 2010

AUTOPSICOGRAFIA

O poeta é um fingidor
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente

E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm

E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração


Fernando Pessoa
in Presença, Abril de 1932
O Suspiro

Voai, brandos meninos tentadores,
Filhos de Vénus, deuses da ternura,
Adoçai-me a saudade amarga e dura,
Levai-me este suspiro aos meus amores:

Dizei-lhe que nasceu dos dissabores
Que influi nos corações a formosura;
Dizei-lhe que é penhor da fé mais pura,
Porção do mais leal dos amadores:

Se o fado para mim sempre mesquinho,
A outro of'rece o bem de que me afasta,
E em ais lhe envia Ulina o seu carinho:

Quando um deles soltar na esfera vasta,
Trazei-o a mim, torcendo-lhe o caminho;
Eu sou tão infeliz, que isso me basta.

Bocage
Poema

Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.

Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.

As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.

Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.

Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.

A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.

(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas).

Álvaro de Campos

segunda-feira, 1 de março de 2010

Mil achados arqueológicos continuam à espera depois de 14 milhões gastos em escavações

Público, por Carlos Dias, 26/02/2006

Material desenterrado em Alqueva enche centenas de contentores, mas faltam recursos para os estudar



Os trabalhos arqueológicos realizados ao abrigo do projecto Alqueva e da construção da barragem custaram 14 milhões de euros, mas os quase 1000 vestígios recolhidos continuam fechados em contentores, à espera que haja condições que permitam o seu estudo e a sua divulgação científica.

Foi um trabalho laborioso, efectuado ao longo de sete anos, entre 2002 e 2009, e que incidiu no território onde a barragem de Alqueva foi construída, no que ficou submerso pela água da albufeira e na área onde foram instalados blocos de rega (albufeiras e sistema de canais). Uma tarefa sem paralelo, segundo o arqueólogo Samuel Melro, do Igespar, que salientou, anteontem, em Castro Verde que "a arqueologia deve muito a Alqueva".

Este responsável falava no quarto colóquio de arqueologia do Alqueva, que termina hoje naquela localidade, tendo acrescentado que "resta saber até que ponto a arqueologia ficou refém das obras". Isto porque depois do forte investimento na barragem e de 14 milhões de euros gastos em escavações - segundo o montante referido por Miguel Martinho, técnico da empresa que gere este empreendimento - ainda não houve capacidade para dar sequência aos quase 1000 achados arqueológicos que foram identificados naquela região.

O material recolhido enche centenas de contentores à espera que haja condições que concretizem o seu "estudo e divulgação científica", observou António Carlos Silva, coordenador dos trabalhos arqueológicos de Alqueva entre 1996 e 2002.

O impacto deste tipo de intervenção tem sofrido as inconveniências associadas à instalação do empreendimento hidro-agrícola. Miguel Martinho destaca a quantidade de obras que ocorrem em simultâneo. "Em em 2009 havia mais de 20 empreitadas a decorrerem ao mesmo tempo" salienta. E foi neste enorme estaleiro de obras que os arqueólogos tiveram de gerir uma espécie de jogo de batalha naval, com a execução das sondagens no terreno partilhado com os trabalhos de construção dos canais de rega.

Durante os três dias do colóquio foram apresentados os resultados de cerca de 30 trabalhos de pesquisa arqueológica realizados sobre a Pré-História Recente, Proto-História, Época Romana e Tardo-Romana Medieval na área destinada ao plano de rega, que inclui 110 mil blocos de rega.




http://jornal.publico.clix.pt/noticia/26-02-2010/mil-achados-arqueologicos-continuam-a-espera-depois-de-14-milhoes-gastos-em-escavacoes-18880368.htm

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

A dor,
o calor,
o frio que gela e mata,
o som,
o amor,
os ruídos doridos dos corpos suspensos,
um raio que brilha no céu,
que leva as almas,
um dia,
uma flor,
raiada de vida,
na soma dos versos.

ah vida perdida,
tempo sem tempo,
no escuro das manhãs cobertas,
o rio que corre para o mar,
sem saber o porquê,
porquê?
será esta a vida!
que nos leva,
que nos engole,
cospe abruptamente sem rancor,
será esta a nossa dor?

o homem,
a gente,
o animal descontente,
a natureza
que nos acolhe e produz,
o sol
que brilha e seduz,
será esta a nossa cruz?
o mar
que volta sempre ao mesmo lugar,
vela e tira,
como uma cria,
nascida e tirada aos pais...
será esta a nossa paz?

oh vida perdida,
será esta gente presente,
a cor da corrente?
será que a vida é só ardor?

por dentro das coisas,
no meio do nada,
estará a realidade sufucada?
na mente da gente,
que mente,
no corpo incompleto,
cria a verdade da vida,
o amor,
o rancor,
para quê tanta dor?

no outro lado das coisas,
pensadas e levadas
pelo vento
que sopra e que engola
o feto
o tempo
seráque é este o nosso presente?

o porquê?
o querer,
o perder,
o não ter,
será esta a nossa mente?
que nos arrasta
para uma vida
para uma morte.
o ver, o saber,
estará tudo cá dentro?

o vento que sopra
que leva a mente crescente
por dentro do rio que mente
está na hora!
está na hora!

por dentro de tudo,
de tudo que poderia existir
da mão cortada e lavada
de restos ressequidos
do fumo do nada,
a alma desnudada
da vida inanimada
e acabada...

será este o nosso fim?

será este o nosso tempo?

do nada para o nada
o nascer
o morrer
será a nossa vida um não querer?
um não poder?

oh vida que mata
do corpo só sobra a carne...
só sobra a mágia do amor...

resta saber,
a vida é dor?
ou será simplemente esta a realidade!
que na vida há dor,
há morte,
e da morte,
fica o fumo,
o nada.

o nada.

será a vida um nada?
que cá dentro,
cresce e se reproduz,
na hora da partida...
a morte...
a morte.

Pictures: Shipwreck Discovery Yields Ancient Treasure

Ancient Human Ancestors Faced Fearsome Horned Crocodile

by Charles Q. Choi, LiveScience

posted: 23 February 2010

A newfound horned crocodile may have been the largest predator encountered by our ancestors in Africa, researchers now suggest.

Scientists have even found bones from members of the human lineage bearing tooth marks from this reptile, whose scientific name, Crocodylus anthropophagus, means "man-eating crocodile."

This predator, which lived some 1.84 million years ago, possessed a deep snout that would have made it look more robust than modern crocodiles. It also had prominent triangular horns.

"They would have been visible mostly from the side as projections behind the eye," said researcher Christopher Brochu, a vertebrate paleontologist at the University of Iowa. "If you looked at them from the front, you would have seen ridges projecting upwards."

A couple of living species of crocodile have similar horns, such as the Cuban and Siamese crocodiles. "Males will use these in mating season to show off," Brochu explained. "While submerged they kind of tip their head forward, showing off the prominence of their horns to females."

Scientists found a partial skull and skeleton of the crocodile at Olduvai Gorge in the Serengeti Plains of Tanzania in 2007. Past research there famously unearthed numerous fossils of extinct human species and their stone tools, strengthening the argument that our lineage originated in Africa.

Fossil leg and foot bones of at least two hominids from Olduvai bear crocodilian tooth marks, and came from roughly the same time as the newfound horned carnivore and within roughly 300 feet (100 meters) from where the reptile's skeleton was discovered.

"I can't guarantee these crocodiles were killing people, but they were certainly biting them," Brochu said. "Our ancestors would have had to be cautious close to the water, because the water's edge at Olduvai Gorge would have been a very dangerous place."

Crocodiles may have been common predators of hominids, the scientists noted. Larger crocodiles would be capable of consuming our ancestors completely, leaving no trace.

"It was probably as large as a modern Nile crocodile, one of the largest living crocodilians at between 18 to 20 feet," Brochu said. "One thing to bear in mind was that while these crocodiles are not necessarily bigger than the ones today, hominids back then were smaller than we are today, so the crocodiles would have been relatively quite a bit larger."

Crocodiles have a reputation for being living fossils that do not change over time, "and that's just wrong," Brochu added. "If you go back five to 10, 15 million years ago, there were more species of crocodile alive then than there are now, and the general assumption that once we entered the Quaternary period, the ice ages, crocodile diversity dropped. This fossil existed during the Quaternary, so it indicated crocodile diversity remained somewhat higher than expected."
Patrimonio

Inician estudio de restos de 3.000 años encontrados en Ayamonte

Podría tratarse del 'túnel del boquerón', que, según la leyenda, comunicaba los castillos de la localidad y Castro Marim por debajo del río Guadiana

Efe / Ayamonte | Actualizado 24.02.2010 - 17:59



Un equipo de arqueólogos ha iniciado el estudio de los restos hallados por una compañía constructora durante la remodelación de una calle en Ayamonte, cuyos primeros estudios revelan una antigüedad de unos 3.000 años. Han sido los servicios de arqueología de la Junta de Andalucía los que han han datado los restos, localizados en las obras que se realizan en la calle Galdames de la localidad. Dicha datación los situaría en el período protohistórico.

La intervención busca el control arqueológico de los movimientos de tierras necesarios y un diagnóstico de las canalizaciones subterráneas con objeto de valorar su cronología, técnica edilicia, función y posibilidades de una posible regeneración y puesta en valor, con un paso previo que consistiría en su protección patrimonial por parte de la Consejería de Cultura.

Para la primera fase, que se realizará a ritmo de obra, será necesaria la presencia de un técnico arqueólogo, mientras que la segunda precisará del concurso de dos arqueólogos, uno de ellos ostentando la dirección facultativa, que se encargarán del estudio paramental de la obra. Se estima que los expertos trabajarán un mínimo de tres semanas hasta completar el estudio, con el fin de aclarar todo lo posible tras el hallazgo casual de los restos el pasado verano.

Todo está encaminado a encontrar el denominado túnel del boquerón, una conducción probablemente de época romana por la que "puede pasar por él un hombre montado a caballo", según indican quienes han podido acceder a la misma, y de la que la leyenda dice que comunicaba los castillos de Ayamonte y Castro Marim por debajo del río Guadiana.

La existencia de restos fenicios y también romanos junto a otros de pobladores anteriores hacen pensar, en una primera valoración, que podría existir una continuidad en la presencia de pobladores en el barrio de La Villa de Ayamonte desde la época tartésica a la actualidad.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Arqueologia na Bulgária

Parte 1:
http://www.youtube.com/watch?v=_SN9xwUc2FQ
Parte 2:
http://www.youtube.com/watch?v=_1oBP8h1Usg
Parte 3:
http://www.youtube.com/watch?v=DVMKkQxchzQ

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

CONVITE Á COMUNIDADE ARQUEOLÓGICA


Livro branco da Arqueologia portuguesa

O Livro branco da Arqueologia portuguesa é uma iniciativa da Associação dos Arqueólogos Portugueses, que consiste numa tentativa de sistematização e diagnóstico dos principais problemas da Arqueologia portuguesa, redigida por representantes dos seus principais protagonistas: do ensino ao mundo do trabalho, dos museus ao Estado, passando pelas autarquias, as associações locais, as organizações profissionais. Mas a oportunidade de um diagnóstico não se justifica senão pela busca de soluções, de vias de trabalho e perspectivas de futuro. O que é a Arqueologia, hoje? O que queremos que seja amanhã?

O Livro branco da Arqueologia portuguesa é uma iniciativa aberta, e por isso divide-se em doze partes, cada uma delas constituída por secção de textos redigidos por convite, e outra secção de textos e depoimentos enviados à sua comissão redactora de acordo com os temas genéricos apresentados. A comissão fará uma selecção dos textos recebidos tendo em conta as limitações objectivas do livro e os critérios editoriais indicados. O objectivo é a apresentação de uma série diversificada de textos de reflexão cuidada e fundamentada.

Destaca-se ainda um anexo com uma lista de património em risco, constituída por fichas individuais, e igualmente aberta à participação de todos.

Apelamos por isso a toda a comunidade arqueológica o envio de textos. Queremos que este Livro branco constitua um verdadeiro marco, da forma mais participada possível, e se assuma desde logo como ferramenta de trabalho.

Critérios editoriais:

? Os textos enviados não devem ultrapassar as dez páginas dactilografadas (espaçamento simples), de acordo com as normas editoriais da Revista Portuguesa de Arqueologia;
? Os autores dos textos devem identificar-se à comissão redactora, com respectiva filiação institucional, a qual se compromete a respeitar o anonimato, ou a apresentação dos textos sob pseudónimo na sua publicação, caso seja a vontade do autor;
? Os textos devem centrar-se num dos tópicos específicos, sem prejuízo do alargamento da reflexão;
? Os textos podem assumir a forma de ensaio, desde que as informações apresentadas sejam devidamente fundamentadas;
? As fichas de sítio para o património em risco deverão conter: 1.Identificação, administrativa e geográfica, do sítio ou conjunto; 2. Breve historial, da investigação e das intervenções realizadas; 3. Riscos em que se encontra.
? O prazo limite para a entrega dos textos é 30 de Abril de 2010.

Livro branco da Arqueologia portuguesa

1. Introdução
2. As universidades e o ensino da Arqueologia
3. A Arqueologia e o mundo laboral
4. A Arqueologia e os museus
5. A Arqueologia e o Estado
6. A Arqueologia nas autarquias
7. A Arqueologia e o associativismo
8. Os arqueólogos e a sua organização
9. A Arqueologia e a investigação
10. A defesa do património
11. A função social da Arqueologia
12. Perspectivas de futuro. Conclusões.

Anexo: Património em risco.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Do livro Desassossego de Bernardo Soares (Fernando Pessoa)

"Considero a vida uma estalagem onde tenho de me demorar até que chegue a diligência do abismo. Não sei onde me levará, porque não sei nada.Poderia considerar esta estalagem uma prisão, porque estou compelido a guardar nela; poderia considerá-la um lugar de sociáveis, porque a qui me encontro com outros. Não sou eu, porém, nem impaciente nem comum."

mais em : http://www.triplov.com/fernando_pessoa/bernardo_soares/frag1.htm
www.arqueomacao.tv
http://ciarte.eu
http://www.altotejo.org

(visitem)
Mar Báltico: Encontrados destroços de navio de guerra sueco do século XVIII
2010-01-16, Lusa

Arqueólogos alemães descobriram, à entrada da baía de Kiel, no norte da Alemanha e em águas do Báltico, os restos do navio de guerra sueco “Prinsessan Hedvig Sophia”, que se afundou em princípios do século XVIII.

A embarcação de 47 metros de comprimento foi ao fundo a 25 de Abril de 1715, durante a Grande Guerra do Norte, numa batalha naval entre suecos e dinamarqueses.

Perante a superioridade das forças navais dinamarquesas, o almirante sueco que comandava a batalha ordenou às suas forças que afundassem os seus próprios barcos para impedir que caíssem nas mãos do inimigo.

Apesar disso, os dinamarqueses conseguiram abordar e conquistar a maioria dos navios suecos antes que estes fossem afundados, com a única excepção do “Prinsessan Hedvig Sophia”, o navio-almirante, cu jo resgate foi impossível devido aos graves danos sofridos.

Os arqueólogos marinhos do Departamento de Arqueologia do Estado de Schleswig-Hosltein conseguiram libertar a proa e a popa da embarcação, que se encontravam aprisionadas pelo próprio lastro do navio (que se coloca no porão para lhe dar estabilidade), indicou hoje um porta-voz da instituição.

Posteriormente, a equipa foi descobrindo outros objectos que identificavam a origem do navio, como restos de armas e escudos, munições para mosquetes de chumbo, balas de canhão de ferro e cristais, lâmpadas, janelas e garrafas.

Os destroços do navio de guerra sueco encontram-se submersos a oito metros de profundidade e as autoridades arqueológicas de Schleswig-Holstein tencionam continuar a trabalhar para trazer à superfície mais material do mesmo
13 Fevereiro 2010 - 00h36

Derrocada
Ruiu muralha do forte da Consolação em Peniche
Parte da muralha do forte de Nossa Senhora da Consolação, em Peniche, um monumento nacional, ruiu ontem devido à erosão costeira.


(fonte: correio da manhã)
http://www.sciencedirect.com/science/journal/02773791

do melhor, acreditem, tem tudo sobre o quaternário (artigos)
Fóssil de tartaruga com
90 milhões de anos
descoberta por portugueses
A nova espécie achada em Angola foi baptizada de «Angolachelys mbaxi»
2010-02-08




«Angolachelys mbaxi»
Paleontólogos portugueses descobriram o fóssil de uma espécie de tartaruga ainda desconhecida, com 90 milhões de anos, durante uma expedição científica a norte de Luanda, anunciou em Lisboa fonte da Faculdade de Ciências e Tecnologia, da Universidade Nova de Lisboa.

Em comunicado, salienta-se que a descoberta ocorreu em Abril de 2005 nas rochas cretácicas a norte de Luanda pelo paleontólogo Octávio Mateus, da Universidade Nova de Lisboa e do Museu da Lourinhã. O estudo contou com a participação de paleontólogos de Portugal, Estados Unidos, Angola e Holanda.



O achamento do crânio fóssil de tartaruga marinha de grandes dimensões ocorreu durante uma expedição da «National Geographic», com o paleontólogo norte-americano Louis Jacobs, da Southern Methodist University, autor do livro «Em busca dos dinossauros africanos». O projecto contou ainda com a colaboração da Universidade Agostinho Neto, de Angola.

Citado no comunicado enviado à Lusa, Miguel Telles Antunes, paleontólogo da Academia de Ciências de Lisboa, que integra a equipa, realçou que o achado “é sobremaneira interessante, quer pela qualidade do material encontrado, quer por se tratar de um grupo muito mal conhecido na região. O achado representa um grande passo em frente dos conhecimentos científicos”.

A descoberta foi baptizada de Angolachelys mbaxi, em que o nome Angolachelys significa “tartaruga de Angola”, e mbaxi é a palavra em kimbundo, língua do noroeste de Angola, para tartaruga.

Segundo o estudo publicado numa revista científica da especialidade, liderado pela equipa portuguesa, reconhece a existência de um grupo distinto de tartarugas marinhas ao qual dá o nome de Angolachelonia.


Miguel Telles Antunes
Este tipo de tartarugas evoluiu no Atlântico norte e a Angolachelys é o primeiro fóssil descoberto deste grupo no hemisfério sul, após a abertura do Atlântico sul, há 100 milhões de anos.

A descoberta hoje anunciada sucede à do lagarto marinho Angolasaurus, feita na mesma área, em 1964, numa descrição de Miguel Telles Antunes, e sugere o Atlântico sul como um corredor de passagem para répteis, o que permite ajudar à “compreensão das migrações da fauna marinha com a abertura do Atlântico sul”, lê-se no comunicado.

Tanto as tartarugas fósseis como as actuais, dividem-se em dois grandes grupos que se distinguem pela forma como recolhem o pescoço: para dentro da carapaça (criptodiras) ou dobrando-o para o lado (pleurodiras).

“Actualmente existem numerosas espécies dos dois grupos em África, mas o mesmo não ocorria há 90 milhões de anos, e a Angolachelys é a mais antiga tartaruga criptodira de todo o continente”, conclui o comunicado.

Artigo: The oldest African eucryptodiran turtle from the Cretaceous of Angola