quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

A dor,
o calor,
o frio que gela e mata,
o som,
o amor,
os ruídos doridos dos corpos suspensos,
um raio que brilha no céu,
que leva as almas,
um dia,
uma flor,
raiada de vida,
na soma dos versos.

ah vida perdida,
tempo sem tempo,
no escuro das manhãs cobertas,
o rio que corre para o mar,
sem saber o porquê,
porquê?
será esta a vida!
que nos leva,
que nos engole,
cospe abruptamente sem rancor,
será esta a nossa dor?

o homem,
a gente,
o animal descontente,
a natureza
que nos acolhe e produz,
o sol
que brilha e seduz,
será esta a nossa cruz?
o mar
que volta sempre ao mesmo lugar,
vela e tira,
como uma cria,
nascida e tirada aos pais...
será esta a nossa paz?

oh vida perdida,
será esta gente presente,
a cor da corrente?
será que a vida é só ardor?

por dentro das coisas,
no meio do nada,
estará a realidade sufucada?
na mente da gente,
que mente,
no corpo incompleto,
cria a verdade da vida,
o amor,
o rancor,
para quê tanta dor?

no outro lado das coisas,
pensadas e levadas
pelo vento
que sopra e que engola
o feto
o tempo
seráque é este o nosso presente?

o porquê?
o querer,
o perder,
o não ter,
será esta a nossa mente?
que nos arrasta
para uma vida
para uma morte.
o ver, o saber,
estará tudo cá dentro?

o vento que sopra
que leva a mente crescente
por dentro do rio que mente
está na hora!
está na hora!

por dentro de tudo,
de tudo que poderia existir
da mão cortada e lavada
de restos ressequidos
do fumo do nada,
a alma desnudada
da vida inanimada
e acabada...

será este o nosso fim?

será este o nosso tempo?

do nada para o nada
o nascer
o morrer
será a nossa vida um não querer?
um não poder?

oh vida que mata
do corpo só sobra a carne...
só sobra a mágia do amor...

resta saber,
a vida é dor?
ou será simplemente esta a realidade!
que na vida há dor,
há morte,
e da morte,
fica o fumo,
o nada.

o nada.

será a vida um nada?
que cá dentro,
cresce e se reproduz,
na hora da partida...
a morte...
a morte.

Nenhum comentário: